quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Conjunção

Imerso em tua arte
Me espalho
Um espelho
Atalho
Refuta minha imagem
Límpida em ti

O brilho da lua
Ensina-me umas sombras
Que dançam atrás de mim
Teu doce bailado
Na sedução de meu ato
Repara-me
E findamos o plano
De plano não ter

Na confusão de nosso gesto
Atamos nós
E confusos
Infantes e livres
Confluímos nossos sorrisos
Num só


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 11 de Agosto de 2014)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Amor, por indefinição

Defino-te abstrato
Confuso
Insensato

Compreende-te
Quem te viveu
E só
Misterioso, complexo
Um falso nexo
Cerca teu nó

Atados em tua teia
Naquele querer inexplicável
Um gostar indefinível
Em tuas vítimas permeia

E sem aviso
Num impulso bandido
Torna o ar banido
Rouba o tempo
O sopro
Intento
Impondo à face o riso


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 01 de agosto de 2014)

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Poslúdio (de um poeta transmutado)

Acabrunhei meu vício
Abandono recente
Tchau, Henry Chinaski
Fuja no meu hospício
De mente
Demente

De um súbito auspício
Impulso frente
A um copo de Whisky
Encerro meu comício
Incipiente
Insipiente


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 9 de agosto de 2014)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Divórcio

Peço divórcio
de mim mesmo

Tenho provas
de que traído fui
e posto à merce
de comportamentos inconsistentes
Exijo pensão
indenização
por danos morais

E não quero ver meu cônjuge
frente ao juiz
fujo deste constrangimento
embora me fiz
valente solteiro

Nesta separação
relacionamento fugaz
buscarei força capaz
de me levantar sozinho
amputado daquela presença
da qual ainda definho

Livre do amargo ser
no meu intento
quase masoquista
encontro um filete
um poema
e escarro otimista
na frente daquele
que rejeito
não mais aceito
em minha vida

E findado o contrato
ponho em prática o ato
Tornar-me livre
de fato
em mim
de um eu
abstrato...
Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 30 de julho de 2014)

terça-feira, 29 de julho de 2014

Impressão

Teus delicados
Tenros lábios
Atrevem-me
Baila tua língua
Leve contorno
Permeia lembrança
Roça o aroma
Do toque

Alexandre Fritzen da Rocha
(Belo Horizonte, 26 de julho de 2014)

terça-feira, 22 de julho de 2014

Epitáfio de três pianos afogados

Aqueles que padeciam pela falta de atenção
Tiveram seu trágico e funesto fim
No porão escuro onde eram enclausurados
Agonizaram afogados
Em silêncio sepulcral...

Sua morte escondida
Sufocou seus recitais
Os concertos e récitas
Permanecem calados
Em pausa longa
De cadência final

Alexandre Fritzen da Rocha
(Canoas, 01 de julho de 2014)


terça-feira, 15 de julho de 2014

Duplos sentidos

triste fuga
ilustre
alimenta-te
de meu cuspe
na tua rude
fala muda
ato
bumerangue
no teu seio
farto
fico


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 24 de junho de 2014)

terça-feira, 8 de julho de 2014

Poetiza

Vejo a natividade da poesia
O ilustre brotar da arte
Manifesto do verso
Que brota solto
Como botão de rosa

Doce
Colorido
Embrionário

Sinto-me torpe
Lendo as estrofes
Prelúdios, enfoques
Da jovem criativa
Em breve poetiza
Poetizando minha lembrança
Matizada por seus versos


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 05 de julho de 2014)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Soneto desfigurado à dúvida

Às nobres procuras internas
Destino meu presente
Mistério, inerente
Ao contorno de tuas pernas

Perplexo, confuso assim
Encilho o vento
Verte intento
De descobrir-te em mim

Mas não descubro nada
Vislumbro uma escada
Que me leva ao vazio

E nesta escalada
Súbito, num silencioso frio
Caminho sem chegada

Alexandre Fritzen da Rocha

(Nova Petrópolis, 01 de janeiro de 2014)

terça-feira, 24 de junho de 2014

Retrato

Poesia corporificada
Nutre meu verso
Num retrato estrófico

Teu provocativo olhar
Docemente “desmetrificado”...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 21 de junho de 2014)

terça-feira, 17 de junho de 2014

Declaração ao Senhor Mau Agouro

Que máscara vestes hoje?
Tua frágil melancolia fictícia
De todos ri
Com infeliz cara de dor
E eu escarro na tua cara
O catarro do teu sarro
Estúpida e cínica
Secreção poética

E aos poucos vão caindo
Tuas verdades
Uma a uma
Como as folhas no outono
Caem no chão
Apodrecem tuas mentiras
No teu sujo solo

Te fazes coitado
Vitimado por atos safados
E nas tuas rugas
Justifica tuas ausências
Teus atos

Covarde e nefasto
Com uma mão dá
E com outra tira
Num ato só
Apaixona e repugna
De um instante a outro

Demente mente!
Na ficção de tua estória
Constróis verdade
Ilusória...

E os adeptos das tuas cenas
Aplaudem efusivamente
Ladram como cães famintos
Gozando de teu gozo
Elucidando teus agouros
Incentivando teus atos
E adornando tuas máscaras

Continues teu baile
Frágil ser
Na tua dança escrota
Errarás o passo
E teu tropeço será público
Tornar-se-á encalço
Para a lápide
Da tua essência pútrida

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 11 de maio de 2014)


terça-feira, 10 de junho de 2014

Interrogação

Afago
Afogo
Afano
Distraído
E por engano
Receoso do medo
Derramo teu verso
No chão
Cedo
Cego
Perco nossa poesia
Na minha estúpida
Interrogação


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 10 de junho de 2014)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Soslaio

Fujo
da tua fuga
Afasto
Antecipo
suposto ato
Atônito
me castro

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 27 de maio de 2014)

terça-feira, 27 de maio de 2014

Frio Portenho

O frio portenho
Invade a tarde
Repleta a paisagem
Sentimentos gris

No desfile dos guarda-chuvas
Da rua Peru
A cumbia se cala
O tango respira

Bebericando um copo de café
Da janela de meu temporário quarto
Vislumbro o bailado das gotas de chuva
Escorrendo na paisagem de Buenos Aires

Doce sonoridade argentina
Me toma por inteiro
Cercado por estes prédios cinzas
E quase melancólicos...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Buenos Aires, Argentina, 12 se setembro de 2013)

terça-feira, 20 de maio de 2014

Relato

Vislumbro teu corpo
Perplexo, extenuado
Magnífica silhueta
Navego nas tuas curvas
E perco-me nos detalhes
Velejando no doce aroma
No contorno impecável
De teu suave suspiro


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 2 de março de 2014)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Ata-te

Vives das cócegas no teu ego
Tua necessidade repugna meu ato
Deselegante
Imatura postura

Te mando longe
Anuncio à tua fronte
Meu desprezo
Minha ausência rude

E esse meu basta
Não basta para ti
Insistes em me difamar
E cuspir vespas

Meu afastamento te aproxima
Minha rejeição te apaixona
Em minha louca fuga
Invado-me de nociva nostalgia

Despe-se em desespero
Anuncias teu furor vespeiro
Na umidade de teu ventre
Imana-me em teu seio

Ato áspero
Corrosivo
Danoso
Perturbada cena

Gozas em meu coito
Cospes na minha cara
Satisfaz teu furor
E descobre-te vazia

Em desespero
Busca meu consenso
Em minha negação
Age em ato violento

Afasta-te
Ata-te
No desconforto da solidão
Descubra-te ser


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 10 de maio de 2014)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Súbito sonho

Morboso sonho
Soturno
Desfaz-se
No abrir dos olhos
Permanece
Alguns minutos
A confundir
Meu pensar

Mas a serenidade
Do teu olhar
Na tua lucidez
Dissolvo
O véu surreal
Fugaz assombro
No lampejo doce
Do teu conforto


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 6 de maio de 2014)

terça-feira, 29 de abril de 2014

Souvenir

Teu cheiro
Em mim permanece
E teu corpo habita
Meu imaginário
Sedento de ti...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 2 de março de 2014)

terça-feira, 22 de abril de 2014

Monólogo matinal

Café queimado
Lenha crepitando
Mato
Vento
Fogo
E o sorriso da manhã
A acordar meu senso

Foco denso
No mirar do horizonte


Alexandre Fritzen da Rocha
(Boqueirão do Leão, 20 de abril de 2014)

terça-feira, 15 de abril de 2014

Lua

Lua
Crua
Veste-se nua
Mulher
Verte-se musa
E altiva
Abusa
De sua singela
Magnitude
de ser

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 5 de abril de 2014)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Paradoxo

Súbito assombro
Sombra persistente
E tênue
Sussurra-me

Na inconstância daqueles passos
Enxergo os meus
Um espelho
Um palíndromo
Paradoxo

Persigo o “destemperamento”
E me reconheço no ato alheio
Naquela angústia
Naquele gozo de vida
Naquelas dúvidas
Intercambiadas em mim

E meu intento de lê-la
Na minha sede de tê-la
De sê-la
Abandono a razão
Num salto frouxo ao duvidoso
Ao improvável
Ou comprovado erro

E neste labirinto
Nos ambíguos caminhos
Insinuados por minha mente
Mantenho as mesmas rotas
E busco minha fuga
À fuga dela
Porém, àquele aroma persistente
Direciona meu andar

Já é tarde
Mas a busca pelo passado
Embora ilusória
Seduz-me como uma ninfa
Andando em círculos
Alimentando o circo
Do picadeiro de minha mente
Que se diverte nesta sátira
Do regozijo da inconstância...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 21 de março de 2014)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Sala de música

A sala de música
não mais carrega
o mesmo som
os intervalos renovam-se
"ressignificam"
gestos
manipulando o tempo
da música
do ser
do som
que já se foi
e renovar-se-á
na lembrança

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 19 de março de 2014)

terça-feira, 25 de março de 2014

Ciclovia

Um mês inteiro
de rota vazia
de lugar nenhum
pra lugar algum
Pobre ciclovia
lá da Loureiro

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 24 de março de 2014)

terça-feira, 18 de março de 2014

Tempestuosa Sina

Minha busca
Indireta
Indiscreta
Pelo inconstante

Faço-me servo de meu temperamento


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 16 de dezembro de 2013)

quarta-feira, 12 de março de 2014

Femina

Musa, criadora, mãe
Usurpa ou presenteia
Leve carícia
Helena, Pandora, Atena
Essência delicada
Repleta de voraz força

Woolf, Lispector, Beauvoir
Opulenta existência
Materna clemência
Ao seu encanto
Navega a poesia

Misterioso pensamento
Único, complexo
Jamais decifrado
E codificado
Raro enigma

Firme e majestosa
Resiste ao pranto
Amável ou vingativa
Ufana-se de si

Fecunda a vida
Enlaça o cuidado
Mantém o zelo
Maternando” o homem
E construindo o ser

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 11 de março de 2014)

terça-feira, 4 de março de 2014

A manhã do carnaval

Purpurina
Confete
Remanso manso
Ar de glória
Sexo
Ranço
Do brinquedo
Canso
E o olho lanço
Calmo
No bloco lento
Devaneio
Frêmito intento
No sorriso
No seio
Da manhã de carnaval

Alexandre Fritzen da Rocha

(Porto Alegre, 02 de março de 2014)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sobre a vitimização

Olá, vítimas do mundo!
Derramem essas lágrimas trouxas
E as enxuguem junto com a escarrada
Que acabei de dar
Ouvindo seus lamentos

Vivam estas vitimizações constrangedoras
Que insistem em vomitar
Buscando ouvidos cansados
De seus lamentos hipocondríacos

Simulem seus sofrimentos
E invistam neste teatro patético
Encontrarão plateias certamente
Provavelmente serão seus espectadores
Os adeptos do mesmo “clube do choro” de vocês

E estes excrementos
Que defecam por suas bocas
Ganharão admiradores
Alguns coitados
Adoradores da fétida notícia
Alimentar-se-ão destes dejetos

Hum, que doce cena
Mirar estas vidas vazias
Que se alimentam da suposta dor alheia
Para amenizar a sua invenção...

Acordem mentes toscas!
E deixem de viver como coitadas!
Mas previno-lhes...
Cuidado com o tombo
Não terão ninguém para lhes segurar do outro lado
E como não estão acostumadas a encarar um real machucado
Procurem alguém para auxiliar
E curem o que realmente precisa ser curado

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 11 de dezembro de 2013)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Noite branda

Súbita frieza da noite
A cidade chuvosa
Chora ao resmungo dos carros

As luzes piscam em frenesi
Clamam pelo meu olhar
Estático na janela

E o pêndulo preguiçoso das horas
Se arrasta no tempo
Vagaroso

A invasão dos raios no horizonte
Risca a penumbra
Rasga a densa neblina

Umidade branda que rouba as estrelas...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 1 de fevereiro de 2014)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Soneto à Saudade

Imerso no estranho sentimento
Que preenche minha mente
Por mais que a fuga tente
Permaneço imóvel no acento

Um sentir confuso. Sem ar...
Porém doce torna-se o sonho
Do regresso que suponho
Em meu súbito e frêmito pensar

E no reencontro ela cessa
No sorriso e no abraço
De peito aberto a promessa

De findar o embaraço
Findar saudade que arremessa
A ausência, desenlaço


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 9 de fevereiro de 2014)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Semiótica lírico poética

Na hermenêutica
do teu sorriso
A epistemologia
do teu gesto
Perco-me nas entrelinhas
do teu olhar
Hermético

E na semântica
de teu corpo
Na tipologia curvilínea
de tuas pernas
Aprecio o colorido feérico
de tua boca
Poiético

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 3 de fevereiro de 2014)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Canção de despedida

Não reconheço
Não mais pertenço
À tua voz
Doce em mim
Lembrança dissipada
A cada fuga
A cada medo de olhar
Reflito teu fel
Retiro teu véu
De omissões

E te faço canção
De despedida

Cortejo teus pés
No caminho do teu sorriso
Impreciso
Teu olhar
Solfeja mudo
A minha voz a expirar
Na tua ruga
Tão delicada e inerente
Ao meu coração

Transpiras meu pranto
Na luz do teu olhar
A chorar macio


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 3 de janeiro de 2013)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Repouso

Dormes no meu colo
E assisto fascinado
Ao teu sono sonoro
Entregue a mim
Exausta
Cansada de nossa dança
Extasiada
Repleta de si
Adere a meu peito
Teu casulo
E transpiras meu cheiro
No teu seio
Em teu ventre
Repleto de mim


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 19 de janeiro de 2014)

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O véu de Nix

Doce condição noturna
A lua me declama poesias que não sei traduzir
Perco-me no manto negro da noite

No curioso som noturno
Observo a sombra que a lua mostra

Rodeado pela pintura estrelar
O sereno emanta-me de nostalgia
E adormeço docemente sob o véu de Nix...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 16 de dezembro de 2013)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Novo ciclo

Os fogos de artifícios
Mancham a paisagem sonora
E as estrelas auxiliam
Na construção
De uma explosão visual
Do recomeço

Todo ciclo findado
É o início de outro
E no lampejo do ocorrido
Faz-se nova luz

A translação das vidas
Nas rotações dos sonhos
Nunca finda
E renasce
A cada novo estouro
A todo novo artifício
De existir

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 01 de janeiro de 2013)