terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sobre a vitimização

Olá, vítimas do mundo!
Derramem essas lágrimas trouxas
E as enxuguem junto com a escarrada
Que acabei de dar
Ouvindo seus lamentos

Vivam estas vitimizações constrangedoras
Que insistem em vomitar
Buscando ouvidos cansados
De seus lamentos hipocondríacos

Simulem seus sofrimentos
E invistam neste teatro patético
Encontrarão plateias certamente
Provavelmente serão seus espectadores
Os adeptos do mesmo “clube do choro” de vocês

E estes excrementos
Que defecam por suas bocas
Ganharão admiradores
Alguns coitados
Adoradores da fétida notícia
Alimentar-se-ão destes dejetos

Hum, que doce cena
Mirar estas vidas vazias
Que se alimentam da suposta dor alheia
Para amenizar a sua invenção...

Acordem mentes toscas!
E deixem de viver como coitadas!
Mas previno-lhes...
Cuidado com o tombo
Não terão ninguém para lhes segurar do outro lado
E como não estão acostumadas a encarar um real machucado
Procurem alguém para auxiliar
E curem o que realmente precisa ser curado

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 11 de dezembro de 2013)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Noite branda

Súbita frieza da noite
A cidade chuvosa
Chora ao resmungo dos carros

As luzes piscam em frenesi
Clamam pelo meu olhar
Estático na janela

E o pêndulo preguiçoso das horas
Se arrasta no tempo
Vagaroso

A invasão dos raios no horizonte
Risca a penumbra
Rasga a densa neblina

Umidade branda que rouba as estrelas...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 1 de fevereiro de 2014)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Soneto à Saudade

Imerso no estranho sentimento
Que preenche minha mente
Por mais que a fuga tente
Permaneço imóvel no acento

Um sentir confuso. Sem ar...
Porém doce torna-se o sonho
Do regresso que suponho
Em meu súbito e frêmito pensar

E no reencontro ela cessa
No sorriso e no abraço
De peito aberto a promessa

De findar o embaraço
Findar saudade que arremessa
A ausência, desenlaço


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 9 de fevereiro de 2014)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Semiótica lírico poética

Na hermenêutica
do teu sorriso
A epistemologia
do teu gesto
Perco-me nas entrelinhas
do teu olhar
Hermético

E na semântica
de teu corpo
Na tipologia curvilínea
de tuas pernas
Aprecio o colorido feérico
de tua boca
Poiético

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 3 de fevereiro de 2014)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Canção de despedida

Não reconheço
Não mais pertenço
À tua voz
Doce em mim
Lembrança dissipada
A cada fuga
A cada medo de olhar
Reflito teu fel
Retiro teu véu
De omissões

E te faço canção
De despedida

Cortejo teus pés
No caminho do teu sorriso
Impreciso
Teu olhar
Solfeja mudo
A minha voz a expirar
Na tua ruga
Tão delicada e inerente
Ao meu coração

Transpiras meu pranto
Na luz do teu olhar
A chorar macio


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 3 de janeiro de 2013)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Repouso

Dormes no meu colo
E assisto fascinado
Ao teu sono sonoro
Entregue a mim
Exausta
Cansada de nossa dança
Extasiada
Repleta de si
Adere a meu peito
Teu casulo
E transpiras meu cheiro
No teu seio
Em teu ventre
Repleto de mim


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 19 de janeiro de 2014)

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O véu de Nix

Doce condição noturna
A lua me declama poesias que não sei traduzir
Perco-me no manto negro da noite

No curioso som noturno
Observo a sombra que a lua mostra

Rodeado pela pintura estrelar
O sereno emanta-me de nostalgia
E adormeço docemente sob o véu de Nix...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 16 de dezembro de 2013)