sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O retorno do findado

Tu sumiste de mim
Me amputou de tua vida
Me soterrou na tua história
Subitamente

Regressou tempos depois
Com um olhar de arrependimento
Um sofrimento contaminador
Incoerente

Embaralhou minha mente
Sacudiu meu sentimento
Liquidificou minhas emoções
E desabei

Tua súbita conclusão
Confusa, imprudente, dolorosa
Bagunçou minha convicção
Tropecei

Acordei bêbado
Nauseado de dúvidas
Tonto de culpas
Sofri

Me vesti de personagens
Me imanei de omissões
Deturpei minha moral
Cai

Enlouqueci minha existência
Nada mais via
Apenas avistava sonhos distorcidos
Calado

Arranquei minhas vendas
E voltei a enxergar
Agora vejo teu olhar
No passado

Alexandre Fritzen da Rocha

(Montevideo, Uruguay, 11 de setembro de 2013)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Anagramas: emocional a cognitivo (Gana motivacional: egos não criam)

Instantes difusos, congelas e usas a minha razão
Tu, ages confusa, dizes não ser, alinhas, montas a si

Ai, mente atroz, move, lida,
Teima e traz novo dilema

E doce o labirinto ao lago d’alma
Ama toda. O belo, cálido ri, ao negá-la

Instante coeso, rude, desistes, por fim
Por te ser confuso, e sim, distante de si

Dê suas porções generosas da dúvida, e
pegues rosas, serão unção de vidas

Alexandre Fritzen da Rocha.
(Porto Alegre, 20 de julho de 2013) 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Noutro novembro

O princípio de novembro
Remete-me nosso prólogo
O início do encontro
Onde de ti desencontrei-me

Embora tenhamos ousadamente
Provocado o destino
A distância geográfica de nossos corpos
Censura nosso senso

Mas em outrora de ti furtei um beijo
Provando Platão nos lábios teus
Transformei a ficção de nosso amor
Em poema concreto

Mas o tempo corroeu o verso
O conto se corrompeu
Transformei nosso romance
Em uma crônica inacabada...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 01 de novembro de 2013)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Graça

Meio sem graça
A graça pela graça da desgraça
E que desgraça sem graça!
Até de graça fico sem graça
Desgraça!

Mas a graça terei de graça
Se da desgraça fugir
Com graça...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 21 de outubro de 2013)

domingo, 20 de outubro de 2013

Olhar fugitivo

Meus lábios renascem nos teus
Eles passeiam pelo teu corpo
Em cada centímetro de pele

Teu olhar tão fugidio
Que mistérios esconde?
Deixa-me te ler

Custas a entregar-te
Exitas em compartilhar
Por fim, entrega-te num sonho

E então me repletas com teu brilho
Teu suave gemido
Devaneio sonoro

Nossa comunicação muda
Com suspiros crescentes
Transcende a fala

Me perco em teu aroma de mar
Teus traços raros
Teus delicados pés
  
Tampouco sei como atuar
Te cortejo em "rallentando"
E te aprecio em “tempo rubato”

E minha coda faz-se pronta
Aproveitar-te sem pudores
Guardando-te em minha eternidade

Alexandre Fritzen da Rocha
(Montevideo, Uruguay, 11 de setembro de 2013)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O adeus à loucura

Tchau, loucura!
Suma com tua paranoia lasciva
Teus castelos e dragões

Abandone este corpo
Que há tempos já não te quer mais
E hoje te ignora

Fuja, suma!
E não bata mais nesta porta
Pois ela está trancada para ti

E quando pensares em regressar
Lembra-te que aqui não tens mais abrigo
A não ser que queiras enlouquecer a ti
Por tentar, em vão, louco me tornar...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 6 de outubro de 2013)

sábado, 5 de outubro de 2013

Micro-romance de ônibus

Te vi de repente
E em poucos segundos
Reparei o teu olhar
Desviaste repentinamente
Ao perceber teu observador

Teu olhar amendoado
Curioso, tímido...
Por trás dos óculos
Encontrou-me e desviou
Num jogo fugaz

Com teu olhar
Procurava e fugia
Uma troca tímida
Um lampejo doce
Uma paixão delicada

E o nosso romance
Que nasceu e morreu
Findou sem começar
Na parada de ônibus
Tão distante do teu olhar.

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 28 de setembro de 2013)