domingo, 15 de dezembro de 2013

O ato (Tétrade do Sentido - IV)

Imersos na irracionalidade do desejo
Relativiza-se a noção de tempo e espaço
Não importa mais onde nem quando
Inertes tornam-se um ao outro

Úmidos gestos
O pulso quase explode
Frio no peito
Calor no ventre

Em ações involuntárias
Os corpos se descobrem
Quadris inquietos

A fala se cala
As bocas navegam
Em uma busca inconstante
Pelos detalhes alheios

Por alguns momentos
Esquece-se de si
Tornando o outro parte sua
Uma posse ainda não explorada

Novas descobertas táteis
Iniciadas no primeiro toque
Os sabores ímpares
Apreciados sem pudores

Roçando a pele
A transpiração de um se faz do outro
Entre mordidas e carícias
Sorvendo os contornos e pelos

E no último ato
O derradeiro suspiro crescente
Cala-se no mais sonoro sussurro
E do gozo faz-se o silêncio

Ressurge o abraço, o beijo, o toque
Renascem todos os atos em um só

Por fim, os sorrisos vívidos dos semblantes
Aparecem outra vez
Sorrateiros e subitamente
Concluindo o eternizado momento
Donde em alguns instantes dois tornaram-se um


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 8 de dezembro de 2013)

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