sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O toque (Tétrade do Sentido – III)

O doce navegar
Na imensidão secreta do outro corpo
Os dedos transformam-se em antenas
Que captam a singularidade
Dos pequenos detalhes alheios

Os pés contribuem nesta especulação
Esta busca sem rumo
Procura cega do desconhecido
Donde em cada momento descobre-se um novo detalhe
Um novo toque

Auxiliado pelos lábios
Segue-se neste passeio embriagado
Esta digressão sem meio, início ou fim

E perdidos no tempo
No universo paralelo dos corpos
Alimenta-se o desejo
De descobrir mais do outro

Nesta descoberta
Nutre-se o gozo pelo toque alheio
Pela busca do outro em seu corpo

Este diálogo mudo
A troca de gestos improvisados
Faz-nos viver um universo construído pelos corpos
E repletos de si
Esquecer-se do mundo externo

E quando se intensifica este passeio
Torna-se inevitável
A transcendência do toque
Age-se sem saber
E subitamente faz-se um novo ato...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 8 de dezembro de 2013)

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