sábado, 31 de agosto de 2013

Tatuagem

E ela tatuou o corpo dele com suas unhas
Num impulso ardente
Rasgou sua pele
Demarcando sua propriedade.

Um misto de raiva e paixão
Num ímpeto lascivo
Marcou seu corpo
Com as manchas de seu desejo

E ela também mordeu
Imprimiu sua arcada dentária
Seus caninos foram os mais pronunciados
No desenho que realizou em sua pele

Estapeou com ódio nos olhos
E quis puni-lo
Necessitava demonstrar sua autoridade
E aliviar sua dúvida

E ele se divertia
Assustado e extasiado
Culpado e orgulhoso
Sentindo o gozo de ser punido

E no final os dois se amaram
E acordaram juntos
Abraçados e sorrindo
Pensando no devaneio do dia anterior

Alexandre Fritzen da Rocha.

(Porto Alegre, 26 de agosto de 2013)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A insônia do sujeito indeterminado

Expurgas os males e agouros
Com um copo bem cheio de lucidez
E os medos espantas
No corpo nu da razão

Atiças teu prejuízo
E debochas de tuas perdas
As vê como tolas
Circunstâncias encharcadas de nada

Chapa tua memória
Embriaga os teus medos
Desata a culpa
Daquilo que não foi

Triste cina de torna-te responsável por tudo
Egoico, ser emanado
De tolices e distorções
Com versos flatulentos e imperitos

E a culpa construída
Que cospe na tua cara
Escarra dores
Que confundem tuas ações

Dormes, então, no teu berço
Coberto por pensamentos cíclicos
Inchados de lágrimas
E molhados de suposições

Alexandre Fritzen da Rocha.

(Nova Petrópolis, 11 de agosto de 2013)

sábado, 17 de agosto de 2013

O sol na manhã de inverno

E o sol adentra a casa
Invade a sala
E despido, espia pela janela
Tenta, em vão, não ser visto nela

Na manhã fria tenta compensar
O gélido clima
E acalma
Parece abraçar a alma

E dele bebo
Amenizo, assim, com calor
A gélida e lúgubre sensação
Dos frios que foram e os que virão

Ele anuncia o recomeço
O novo dia
Um ciclo que leve
A sua morte em breve

Renascerá noutro tempo
Cumprindo sua rotineira função
Dar luz e vida
E adormecer em seguida...


Alexandre Fritzen da Rocha.
(Porto Alegre, 22 de julho de 2013)

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Manhã...

Em teu corpo me re-invento
Me busco e me encontro
Me perco e me escondo
Re-significo meus sentidos

Minhas mãos,
Descobrem em ti poesias
Com versos em Braille
E te recito...

Minha boca,
Percorre teu corpo
Liba teus sabores
Como uma bebida angélica

Meus olhos,
Vislumbrados e perdidos
Observam os pequenos detalhes teus
E encantos se perdem num sonho

Meus ouvidos,
Apreciam tua fala
Sonoridade feérica
Doce sinfonia...

Meu nariz,
Refém do teu sândalo
Respira-te como um boticário
E agracia teu aroma...

E acaricio tua manhã
Eu, um observador apaixonado
Tu, um presente para minha alma
Sorriso de minha existência...


Alexandre Fritzen da Rocha.
(Porto Alegre, 2 de agosto de 2013)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Será?

Será que há razão
Nos pensamentos fugidios?
Há solidez
No impulso brando de minha fala?

Será que minha fuga insana
Da tua voz
Corresponde ao medo
De ouvi-la?

E teu semblante
Que se esconde em meu íntimo
Tua presença constante
Que demarca minh’alma...

Súbita dúvida,
Atroz, voraz, veloz
Me digas, mente minha
Demente estás?

Ou apenas estás
A jogar um jogo funesto
Um jogo do erro
E do acerto incerto

Ouço-te com atenção
Mas mostra-me diálogos ambíguos
E eu, vívido
Te obedeço no impulso

Fazes troça de mim
Com tua doce carícia
Ausente
Fugaz...

Concluo que ouvir-te
Nada mais é que "insanificar-me",
Acalentar minha dúvida
E tornar-me teu espantalho...

Alexandre Fritzen da Rocha.

(Porto Alegre, 27 de julho de 2013)