sábado, 28 de setembro de 2013

Despertou repentinamente e sentiu-se estranho

E o seu adormecimento
Tão sorrateiro e repentino
Longínquo e iminente
Cessou...

Repleto de sonhos mortos

Acordou com uma ressaca voraz
Recordando o tempo anterior
Com lembranças de si não pertencentes a ele

A sensação de ter vivido outro alguém

O assustou e perturbou
Desalinhou sua mente
Sedenta de pensamentos apolíneos

Desligar-se da culpa

Desalinhar-se dos desejos distorcidos
"Des-projetar" um futuro de outrem
Exercício banal porém difícil para ele...

De coisas estúpidas deu-se conta

E observou também
Que os desejos dos tempos de fogueira
Vão embora como o fogo sem a lenha

Eles são tão desprovidos de razão

Por isso irritam seu emissor
Porque aceitar a imbecilidade de outrora
É um ato hercúleo

Mas remoer a embriaguez de meses passados
É como acordar e realimentar o enjoo
Passe a vomitar, por favor
E cuspa para fora o que te desagrada...

E não volte a ingerir estas náuseas estúpidas...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Montevidéu, Uruguay, 10 de setembro de 2013)

Nenhum comentário:

Postar um comentário