Aquele chinelo
Abandonado no canto do quarto
Sente-se só
Foi abandonado e não é mais vestido
Não protege os pequenos pés que antes calçava
Ele sente-se inútil
Emite lembranças ao quarto
E cumpre uma função diversa de outrora
Ele sofre pelo esquecimento
E não entende porque foi abandonado tão subitamente
Aquele chinelo
Não pode ser calçado pelo habitante do quarto
E fica, junto a calçados maiores,
À espera de seus pés companheiros
Que nunca chegam...
Ele sente-se intruso
Tem a impressão de estar no lugar errado
Quer ir embora e reencontrar os pés adequados
Deseja cumprir sua função natural
E não ser uma lembrança esquecida no canto do quarto.
Alexandre Fritzen da Rocha
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