terça-feira, 27 de maio de 2014

Frio Portenho

O frio portenho
Invade a tarde
Repleta a paisagem
Sentimentos gris

No desfile dos guarda-chuvas
Da rua Peru
A cumbia se cala
O tango respira

Bebericando um copo de café
Da janela de meu temporário quarto
Vislumbro o bailado das gotas de chuva
Escorrendo na paisagem de Buenos Aires

Doce sonoridade argentina
Me toma por inteiro
Cercado por estes prédios cinzas
E quase melancólicos...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Buenos Aires, Argentina, 12 se setembro de 2013)

terça-feira, 20 de maio de 2014

Relato

Vislumbro teu corpo
Perplexo, extenuado
Magnífica silhueta
Navego nas tuas curvas
E perco-me nos detalhes
Velejando no doce aroma
No contorno impecável
De teu suave suspiro


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 2 de março de 2014)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Ata-te

Vives das cócegas no teu ego
Tua necessidade repugna meu ato
Deselegante
Imatura postura

Te mando longe
Anuncio à tua fronte
Meu desprezo
Minha ausência rude

E esse meu basta
Não basta para ti
Insistes em me difamar
E cuspir vespas

Meu afastamento te aproxima
Minha rejeição te apaixona
Em minha louca fuga
Invado-me de nociva nostalgia

Despe-se em desespero
Anuncias teu furor vespeiro
Na umidade de teu ventre
Imana-me em teu seio

Ato áspero
Corrosivo
Danoso
Perturbada cena

Gozas em meu coito
Cospes na minha cara
Satisfaz teu furor
E descobre-te vazia

Em desespero
Busca meu consenso
Em minha negação
Age em ato violento

Afasta-te
Ata-te
No desconforto da solidão
Descubra-te ser


Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 10 de maio de 2014)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Súbito sonho

Morboso sonho
Soturno
Desfaz-se
No abrir dos olhos
Permanece
Alguns minutos
A confundir
Meu pensar

Mas a serenidade
Do teu olhar
Na tua lucidez
Dissolvo
O véu surreal
Fugaz assombro
No lampejo doce
Do teu conforto


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 6 de maio de 2014)