segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Graça

Meio sem graça
A graça pela graça da desgraça
E que desgraça sem graça!
Até de graça fico sem graça
Desgraça!

Mas a graça terei de graça
Se da desgraça fugir
Com graça...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 21 de outubro de 2013)

domingo, 20 de outubro de 2013

Olhar fugitivo

Meus lábios renascem nos teus
Eles passeiam pelo teu corpo
Em cada centímetro de pele

Teu olhar tão fugidio
Que mistérios esconde?
Deixa-me te ler

Custas a entregar-te
Exitas em compartilhar
Por fim, entrega-te num sonho

E então me repletas com teu brilho
Teu suave gemido
Devaneio sonoro

Nossa comunicação muda
Com suspiros crescentes
Transcende a fala

Me perco em teu aroma de mar
Teus traços raros
Teus delicados pés
  
Tampouco sei como atuar
Te cortejo em "rallentando"
E te aprecio em “tempo rubato”

E minha coda faz-se pronta
Aproveitar-te sem pudores
Guardando-te em minha eternidade

Alexandre Fritzen da Rocha
(Montevideo, Uruguay, 11 de setembro de 2013)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O adeus à loucura

Tchau, loucura!
Suma com tua paranoia lasciva
Teus castelos e dragões

Abandone este corpo
Que há tempos já não te quer mais
E hoje te ignora

Fuja, suma!
E não bata mais nesta porta
Pois ela está trancada para ti

E quando pensares em regressar
Lembra-te que aqui não tens mais abrigo
A não ser que queiras enlouquecer a ti
Por tentar, em vão, louco me tornar...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 6 de outubro de 2013)

sábado, 5 de outubro de 2013

Micro-romance de ônibus

Te vi de repente
E em poucos segundos
Reparei o teu olhar
Desviaste repentinamente
Ao perceber teu observador

Teu olhar amendoado
Curioso, tímido...
Por trás dos óculos
Encontrou-me e desviou
Num jogo fugaz

Com teu olhar
Procurava e fugia
Uma troca tímida
Um lampejo doce
Uma paixão delicada

E o nosso romance
Que nasceu e morreu
Findou sem começar
Na parada de ônibus
Tão distante do teu olhar.

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 28 de setembro de 2013)