sábado, 28 de setembro de 2013

Despertou repentinamente e sentiu-se estranho

E o seu adormecimento
Tão sorrateiro e repentino
Longínquo e iminente
Cessou...

Repleto de sonhos mortos

Acordou com uma ressaca voraz
Recordando o tempo anterior
Com lembranças de si não pertencentes a ele

A sensação de ter vivido outro alguém

O assustou e perturbou
Desalinhou sua mente
Sedenta de pensamentos apolíneos

Desligar-se da culpa

Desalinhar-se dos desejos distorcidos
"Des-projetar" um futuro de outrem
Exercício banal porém difícil para ele...

De coisas estúpidas deu-se conta

E observou também
Que os desejos dos tempos de fogueira
Vão embora como o fogo sem a lenha

Eles são tão desprovidos de razão

Por isso irritam seu emissor
Porque aceitar a imbecilidade de outrora
É um ato hercúleo

Mas remoer a embriaguez de meses passados
É como acordar e realimentar o enjoo
Passe a vomitar, por favor
E cuspa para fora o que te desagrada...

E não volte a ingerir estas náuseas estúpidas...

Alexandre Fritzen da Rocha
(Montevidéu, Uruguay, 10 de setembro de 2013)

sábado, 21 de setembro de 2013

Frio

E ele retorna
Com sua áspera presença
Dele distancia-se o encontro
E alimenta-se a introspecção...

Atravessa as ruas e rostos
Frisa os olhos
Alimenta as rugas
E envelhece os olhares

Apreciando um copo de vinho
De sabor marcante
Miro da janela
O semblante da noite urbana

Gélida, cumprimenta o frio.


Alexandre Fritzen da Rocha
(Buenos Aires, Argentina, 13 de setembro de 2013)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

ESMA 74 (Homenaje a las víctimas de la dictadura argentina)

Roban nuestra dignidad
Toman nuestros hijos
Hacen la inducción del nuestro sueño
Y nos echan en el mar

Pero la libertad se queda con nosotros


Alexandre Fritzen da Rocha
(Buenos Aires, Argentina, 13 de setembro de 2013)

sábado, 7 de setembro de 2013

Tempo

E as luzes piscam quase loucas
Na noite da cidade
Choramingam o dia que passou

No sense
Sinto a saudade de jamais ter sido
E preocupo-me com o porvir
Sendo que ele não há...

É interessante este olhar
Este fetiche de Wells
Impalpável, incontrolável...

E neste limbo temporal
Me sinto um astronauta
Flutuando na nave de minha consciência
E chegando a ontem e amanhã sem ser...

Alexandre Fritzen da Rocha

(Porto Alegre, 7 de julho de 2013)