E o seu adormecimento
Tão sorrateiro e repentino
Longínquo e iminente
Cessou...
Repleto de sonhos mortos
Acordou com uma ressaca voraz
Recordando o tempo anterior
Com lembranças de si não pertencentes a ele
A sensação de ter vivido outro alguém
O assustou e perturbou
Desalinhou sua mente
Sedenta de pensamentos apolíneos
Desligar-se da culpa
Desalinhar-se dos desejos distorcidos
"Des-projetar" um futuro de outrem
Exercício banal porém difícil para ele...
De coisas estúpidas deu-se conta
E observou também
Que os desejos dos tempos de fogueira
Vão embora como o fogo sem a lenha
Eles são tão desprovidos de razão
Por isso irritam seu emissor
Porque aceitar a imbecilidade de outrora
É um ato hercúleo
Mas remoer a embriaguez de meses passados
É como acordar e realimentar o enjoo
Passe a vomitar, por favor
E cuspa para fora o que te desagrada...
E não volte a ingerir estas náuseas estúpidas...
Alexandre Fritzen da Rocha
(Montevidéu, Uruguay, 10 de setembro de 2013)
sábado, 28 de setembro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
Frio
E ele retorna
Com sua áspera presença
Dele distancia-se o encontro
E alimenta-se a introspecção...
Atravessa as ruas e rostos
Frisa os olhos
Alimenta as rugas
E envelhece os olhares
Apreciando um copo de vinho
De sabor marcante
Miro da janela
O semblante da noite urbana
Gélida, cumprimenta o frio.
Alexandre Fritzen da Rocha
(Buenos Aires, Argentina, 13 de setembro de 2013)
(Buenos Aires, Argentina, 13 de setembro de 2013)
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
ESMA 74 (Homenaje a las víctimas de la dictadura argentina)
Roban nuestra dignidad
Toman nuestros hijos
Hacen la inducción del nuestro sueño
Y nos echan en el mar
Pero la libertad se queda con nosotros
Alexandre Fritzen da Rocha
(Buenos Aires, Argentina, 13 de setembro de 2013)
(Buenos Aires, Argentina, 13 de setembro de 2013)
sábado, 7 de setembro de 2013
Tempo
E as luzes piscam quase loucas
Na noite da cidade
Choramingam o dia que passou
No sense
Sinto a saudade de jamais ter sido
E preocupo-me com o porvir
Sendo que ele não há...
É interessante este olhar
Este fetiche de Wells
Impalpável, incontrolável...
E neste limbo temporal
Me sinto um astronauta
Flutuando na nave de minha consciência
E chegando a ontem e amanhã sem ser...
Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 7 de julho de 2013)
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