terça-feira, 29 de abril de 2014

Souvenir

Teu cheiro
Em mim permanece
E teu corpo habita
Meu imaginário
Sedento de ti...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 2 de março de 2014)

terça-feira, 22 de abril de 2014

Monólogo matinal

Café queimado
Lenha crepitando
Mato
Vento
Fogo
E o sorriso da manhã
A acordar meu senso

Foco denso
No mirar do horizonte


Alexandre Fritzen da Rocha
(Boqueirão do Leão, 20 de abril de 2014)

terça-feira, 15 de abril de 2014

Lua

Lua
Crua
Veste-se nua
Mulher
Verte-se musa
E altiva
Abusa
De sua singela
Magnitude
de ser

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 5 de abril de 2014)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Paradoxo

Súbito assombro
Sombra persistente
E tênue
Sussurra-me

Na inconstância daqueles passos
Enxergo os meus
Um espelho
Um palíndromo
Paradoxo

Persigo o “destemperamento”
E me reconheço no ato alheio
Naquela angústia
Naquele gozo de vida
Naquelas dúvidas
Intercambiadas em mim

E meu intento de lê-la
Na minha sede de tê-la
De sê-la
Abandono a razão
Num salto frouxo ao duvidoso
Ao improvável
Ou comprovado erro

E neste labirinto
Nos ambíguos caminhos
Insinuados por minha mente
Mantenho as mesmas rotas
E busco minha fuga
À fuga dela
Porém, àquele aroma persistente
Direciona meu andar

Já é tarde
Mas a busca pelo passado
Embora ilusória
Seduz-me como uma ninfa
Andando em círculos
Alimentando o circo
Do picadeiro de minha mente
Que se diverte nesta sátira
Do regozijo da inconstância...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 21 de março de 2014)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Sala de música

A sala de música
não mais carrega
o mesmo som
os intervalos renovam-se
"ressignificam"
gestos
manipulando o tempo
da música
do ser
do som
que já se foi
e renovar-se-á
na lembrança

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 19 de março de 2014)