terça-feira, 29 de julho de 2014

Impressão

Teus delicados
Tenros lábios
Atrevem-me
Baila tua língua
Leve contorno
Permeia lembrança
Roça o aroma
Do toque

Alexandre Fritzen da Rocha
(Belo Horizonte, 26 de julho de 2014)

terça-feira, 22 de julho de 2014

Epitáfio de três pianos afogados

Aqueles que padeciam pela falta de atenção
Tiveram seu trágico e funesto fim
No porão escuro onde eram enclausurados
Agonizaram afogados
Em silêncio sepulcral...

Sua morte escondida
Sufocou seus recitais
Os concertos e récitas
Permanecem calados
Em pausa longa
De cadência final

Alexandre Fritzen da Rocha
(Canoas, 01 de julho de 2014)


terça-feira, 15 de julho de 2014

Duplos sentidos

triste fuga
ilustre
alimenta-te
de meu cuspe
na tua rude
fala muda
ato
bumerangue
no teu seio
farto
fico


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 24 de junho de 2014)

terça-feira, 8 de julho de 2014

Poetiza

Vejo a natividade da poesia
O ilustre brotar da arte
Manifesto do verso
Que brota solto
Como botão de rosa

Doce
Colorido
Embrionário

Sinto-me torpe
Lendo as estrofes
Prelúdios, enfoques
Da jovem criativa
Em breve poetiza
Poetizando minha lembrança
Matizada por seus versos


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 05 de julho de 2014)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Soneto desfigurado à dúvida

Às nobres procuras internas
Destino meu presente
Mistério, inerente
Ao contorno de tuas pernas

Perplexo, confuso assim
Encilho o vento
Verte intento
De descobrir-te em mim

Mas não descubro nada
Vislumbro uma escada
Que me leva ao vazio

E nesta escalada
Súbito, num silencioso frio
Caminho sem chegada

Alexandre Fritzen da Rocha

(Nova Petrópolis, 01 de janeiro de 2014)